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Sean Schemmel desmaiou até três vezes dublando Goku Super Saiyan 4 em Dragon Ball Daima

Phil Nuck
Phil Nuck
19 de abr. de 2026Anime
Dragon BallSérie
Dragon Ball Super Saiyan 4 Goku in his Daima form standing on a red-sky rocky plateau, hero shot.
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Sean Schemmel diz que as sessões de Super Saiyan 4 o nocautearam

Depois de 27 anos dublando Goku em inglês, Sean Schemmel não se assusta mais com quase nada dentro de uma cabine de gravação. Por isso, quando ele diz que as sessões de Dragon Ball Daima para Super Saiyan 4 o nocautearam de verdade, a coisa pesa. Em um painel recente na Anime Las Vegas, Schemmel explicou para a sala como foram aqueles dias de gravação, e a resposta foi mais dura do que até os fãs antigos esperavam.

O que ele realmente disse no painel

Schemmel deixou tudo claro. Em toda a sua trajetória na franquia, só desmaiou uma vez em sessão de Goku. Foi por causa do Super Saiyan 4 no Dragon Ball GT original. Depois Dragon Ball Daima trouxe o Super Saiyan 4 de volta, e ele diz que aconteceu de novo, entre uma e três vezes a mais na cabine. Ele apresentou isso como o preço de fazer a transformação direito, não como queixa, e manteve um tom leve. A sala riu, e depois caiu a ficha de que ele estava falando literalmente.

Por que a voz do Super Saiyan 4 bate diferente

Schemmel entrou no detalhe técnico. A voz do Super Saiyan 4 fica mais grave do que o registro habitual de Goku, o que obriga as cordas vocais dele a abrirem mais e a perderem mais ar por segundo. Soma a isso o jeito como ele grita (apoia muito na respiração diafragmática e dispara grandes volumes de ar a cada golpe) e sobra um registro que esvazia ele mais rápido do que ele consegue se recarregar. Ele faz Goku clássico há quase três décadas, então o corpo conhece essa tessitura. SS4 é um trabalho físico diferente, e ele não está acostumado a fazer o tempo todo. Daima pediu esse compromisso de novo, e a cabine cobrou a conta.
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27 anos de Schemmel reverenciando Masako Nozawa

Schemmel passou uma boa parte do painel falando sobre Masako Nozawa, a lendária seiyū japonesa de Goku, e recusou de cara uma comparação que a sala tentou dar a ele. Os fãs presentes o chamaram de Goku americano definitivo. Schemmel descartou e devolveu o holofote para Nozawa.

Ele recusa a coroa de Goku definitivo

Schemmel disse que respeita Nozawa primeiro como feminista, depois como dubladora. Aos mais de 80 anos ela continua interpretando Goku criança, Goku adulto, Gohan e Goten, atravessando o que ele mesmo chamou de um machismo que teria afundado quase qualquer carreira. Ele a encontrou duas vezes, e descreveu o momento em que ela troca para a voz de Goku como uma bolha de energia que dá para sentir mesmo se a pessoa não for espiritualizada. Ele não é, deixou claro, e mesmo assim sentiu. Veredito dele, não consegue imaginar mais ninguém no papel.

O que Nozawa fez e que quase nenhum seiyū japonês se permite

A história que Schemmel conta é a que mais o emociona. Nozawa originalmente dublava Goku criança. Quando o personagem cresceu, ela ligou para a produção e pediu para refazer o teste para o Goku adulto, e ficou com o papel. Schemmel destacou que no Japão ninguém liga para exigir manter um papel, e que esse movimento seria visto como fora de lugar até para uma atriz norte-americana, quanto mais para uma japonesa. Ela fez assim mesmo. Schemmel acha que ela talvez seja a única mulher na história da dublagem a ter feito isso. Quarenta anos depois, ela segue na cabine como Goku, inclusive no próximo remake Dragon Ball Super: Beerus.
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O que Schemmel diz que Goku realmente é

O outro fio que Schemmel não soltou foi quem é Goku de verdade, e isso importa porque ele diz que é o que roteiristas e fãs interpretam errado mais frequentemente. Ele não vê Goku como um cara que bate no peito. Vê Goku como uma encarnação metafórica da mente do iniciante, da mente de criança, aquela parte da gente que continua curiosa e se recusa a evoluir de propósito.

Goku como mente do iniciante

Schemmel contou que mais de uma vez pegou roteiristas escrevendo Goku como um egocêntrico que se gaba, e os corrigiu. Goku não quer vencer por ego. Ele quer lutar com o mais forte da sala e depois propor amizade para fazer de novo. Por isso, no começo, pediu os roteiros originais em japonês em vez das versões americanizadas, para puxar Goku de volta para a versão que Akira Toriyama escreveu. Interpretar por 27 anos seguidos um personagem que se recusa a evoluir emocionalmente, enquanto todos os outros (Vegeta, Piccolo, Gohan) crescem em volta dele, é a parte mais difícil do trabalho. Ele assume que inveja Christopher Sabat por herdar todas as falas sarcásticas de Vegeta.

Por que ele toca em saúde mental

O painel também foi para um lugar onde quase nenhum Q&A de dublador costuma ir. Schemmel falou abertamente de 25 anos de terapia, do trabalho com jovens com ideação suicida e das visitas a crianças em fase terminal em hospitais. Disse que as histórias que mais batem nele são as de fãs para quem a performance dele como Goku virou um motivo para parar com bullying ou autoagressão. Um menino contou que sobreviveu a um enxame de abelhas porque acreditou que era Vegito. Schemmel é alérgico a abelhas. Histórias assim, ele disse, são o motivo de ele continuar voltando à cabine aos 57 anos para gritar até desmaiar.
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