
Masako Nozawa é a voz japonesa de Son Goku e de cada homem biológico de sua linhagem, lenda viva da dublagem japonesa que carrega a família Son há mais de quatro décadas e ganhou o apelido de O Eterno Menino.
Desde que Esfera do Dragão estreou na Fuji TV em fevereiro de 1986, Masako Nozawa dubla Son Goku, e nunca parou. Numa decisão de elenco que moldaria a história do anime, o herói de cauda de macaco de Akira Toriyama foi entregue a uma mulher que já passara duas décadas dublando garotos, e sua entrega luminosa, sincera e levemente rouca virou o som de Goku para sempre. Ela seguiu no papel em Esfera do Dragão, Esfera do Dragão Z, GT, Kai, Super e em todos os filmes de cinema, de A Lenda do Dragão a Super Hero.
O que torna a façanha quase inacreditável é que Goku é apenas um de seus papéis em Esfera do Dragão. Ela também dubla Son Gohan em todas as idades, Son Goten, o Gohan do Futuro, Bardock, Goku Jr. e o sósia vilanesco de Goku, Tales, em A Árvore do Poder. Quando Esfera do Dragão Super precisou de um equivalente sinistro para o arco de Zamasu, a Toei entregou Goku Black também a ela. Nas fusões Vegetto e Gogeta ela divide o papel com Ryo Horikawa, e em Gotenks dobra com Takeshi Kusao. Ela dubla a linhagem Son inteira, com a única exceção de Raditz.
Nozawa nasceu em Tóquio em 1936 e foi criada em Numata, Gunma. Estreou na tela como atriz infantil aos dois anos de idade, e quando passou para a dublagem já vinha atuando havia anos. Sua carreira anterior a Esfera do Dragão é um mapa do anime japonês clássico. Foi Tetsuro Hoshino em Galaxy Express 999, Kitaro nas duas primeiras séries de GeGeGe no Kitaro, Tom Sawyer no World Masterpiece Theater da Nippon Animation, Esteban em As Misteriosas Cidades de Ouro e o próprio Doraemon nos episódios catorze a cinquenta e dois da primeiríssima série de 1973.
Seu hábito de dublar jovens protagonistas masculinos lhe rendeu o apelido carinhoso de Eien no Shonen, O Eterno Menino. Ela já contou que, paradoxalmente, uma regra da indústria que a impediu de retomar Kitaro na adaptação de 1985, porque já dublava outro protagonista na mesma rede, foi o que liberou sua agenda para aceitar Goku um ano depois. Créditos posteriores como Guilmon em Digimon Tamers e a Doutora Kureha em One Piece mostram seu alcance além da família Son, assim como papéis de dublagem como Short Round em Indiana Jones e o Templo da Perdição.
Em 2006, Nozawa deixou a grande agência 81 Produce para fundar sua própria empresa, a Office Nozawa, que ainda preside. Em 2013, o Seiyu Awards a homenageou com um prêmio por serviços relevantes pelas décadas de contribuição à dublagem japonesa, um reconhecimento formal raro em uma indústria que normalmente mantém seus veteranos em silêncio. Ela continuou gravando como Goku já passada dos oitenta anos, comparecendo para interpretar o papel em novos filmes e séries sem nenhuma concessão audível ao tempo.
Para os fãs japoneses, a ideia de Esfera do Dragão sem Masako Nozawa é quase impensável. Ela é a voz que mais tempo serviu na história da Shonen Jump, e a âncora emocional de uma franquia que sobreviveu a tendências, redes de TV e até ao próprio criador. Quando ela grita Kamehameha, é a voz de Goku, e sempre será.

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